Os massacres de Juba e Wau em 1965 foram massacres cometidos pelo exército sudanês no sul do Sudão, durante a Primeira Guerra Civil Sudanesa, nas cidades de Juba e Wau. Os massacres fizeram parte de uma série de ataques mais amplos contra civis sul-sudaneses, conduzidos sob o comando do então primeiro-ministro Muhammad Ahmad Mahgoub.
Contexto A Primeira Guerra Civil Sudanesa começou em 18 de agosto de 1955, quando membros do Corpo de Equatória em Torit se amotinaram contra seus comandantes nortistas. O motim transformou-se em um movimento secessionista chamado Anyanya, composto pelos amotinados de Torit e estudantes sulistas. Os grupos ganharam terreno a partir de 1963, perdurando até 1969. As piores atrocidades da guerra civil foram cometidas sob o governo do primeiro-ministro civil eleito Muhammad Ahmad Mahgoub, que chegou ao poder em 10 de junho de 1965. Suas políticas de guerra foram caracterizadas por ataques extremamente brutais a cidades do sul, que causaram milhares de mortes de civis.
Os massacres
Massacre em Juba Em 8 de julho de 1965, soldados entraram em fúria em Juba, atirando e alvejando civis. Os ataques começaram às 8 horas da manhã e continuaram até o dia seguinte. A explicação oficial, apresentada pelo Ministro do Interior, foi que o massacre foi motivado por um ataque malsucedido ao quartel-general militar sudanês em Juba. Essas alegações foram contestadas por uma testemunha que afirmou que os motivos dos ataques surgiram de uma briga entre soldados nortistas e civis sulistas a respeito de uma prostituta. A disputa terminou com um soldado sendo esfaqueado, depois disso os outros soldados, enfurecidos com o esfaqueamento, iniciaram uma matança. O massacre de Juba foi marcado por extrema violência e testemunhas afirmam que os soldados estavam visando especialmente não-árabes. O número de vítimas resultante é incerto, mas o historiador Deng D. Akol Ruay estimou que houve entre 1.000 e 3.000 mortes.
Massacre em Wau Dois dias após o início do massacre de Juba, em 10 de julho, ocorreu um segundo massacre em Wau. O massacre aconteceu durante um casamento, quando soldados sudaneses cercaram a casa e começaram a atirar. O massacre matou 76 civis, a maioria deles pertencentes às elites instruídas sulistas. O governo alegou que as pessoas presentes no casamento eram rebeldes Anyanya que atiraram primeiro contra os soldados, mas o político sul-sudanês Clement Mboro negou veementemente essa alegação, afirmando que todos eram intelectuais.
Outros massacres Outros massacres também foram perpetrados em julho pelas tropas sudanesas. Kapoeta foi atacada em 11 de julho, matando 1.400 pessoas, e em 15 de junho, 76 pessoas foram mortas em Yei.
Consequências A recém-formada Frente Sulista considerou o ataque uma "tentativa de matar todos os sul-sudaneses instruídos da região". Publicaram um memorando que instava o governo a instaurar uma investigação sobre os assassinatos. O memorando também contestava a alegação do governo de que o massacre havia matado cerca de 400 pessoas. O jornal da Frente Sulista, The Vigilant, publicou artigos sobre o massacre, classificando-o como "bárbaro e brutal" e acusando o governo de um complô para "despovoar o sul". Essas publicações levaram à suspensão do The Vigilant de julho de 1965 a janeiro de 1966.
Nota Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «1965 Juba and Wau massacres».
Referências
Bibliografia Poggo, Scopas (2009). The First Sudanese Civil War Africans, Arabs, And Israelis In The Southern Sudan, 1955-1972. [S.l.]: Palgrave Macmillan. ISBN 9780230607965