Barbara Jones-Hogu (17 de abril de 1938 – 14 de novembro de 2017) foi uma artista, designer, professora e cineasta afro-americana mais conhecida por seus trabalhos com a Organização da Cultura Negra Americana (OBAC) e por ser membra fundadora do coletivo de artistas AfriCOBRA.

Biografia Barbara Jones-Hogu nasceu em Chicago, Illinois, em 1938. Recebeu o diploma de bacharel em Artes pela Universidade Howard e em Belas Artes pela Escola do Instituto de Arte de Chicago. Ela também obteve mestrado em Belas Artes pelo Instituto de Design de Chicago, bem como um mestrado em impressão pelo Instituto de Tecnologia de Illinois. Mais tarde, quando já tinha mais de setenta anos, Barbara cursou mestrado em Belas Artes em Cinema Independente e Imagem Digital na Universidade Estadual de Governors, com a intenção de documentar artistas e seus trabalhos. Jones-Hogu era descrita como reservada e atenciosa, foi casada com Wadsworth Jarrell (também conhecido como Wadsworth Ahmed Jarrell), escultor, artista visual e também membor fundador do coletivo AfriCOBRA. Eles tiveram um filho, Kuumba Hogu, que tem sido fundamental na preservação e promoção da memória de sua mãe.

Carreira Barbara Jones-Hogu foi artista, designer, professora cineasta, membra fundadora coletivo de artistas AfriCOBRA e integrante da Organização da Cultura Negra Americana (OBAC). Em 1967, ela participou da realização do mural Wall of Respect pela OBAC, sendo considerado o primeiro mural de rua coletivo dos Estados Unidos. Iniciou sua trajetória na gravura durante seus estudos no Instituto de Arte de Chicago, onde cursava pintura e teve contato com a técnica por meio das disciplinas. Enquanto conciliava trabalho e estudos, também utilizava as instalações de gravura do Instituto de Design. Reconhecendo seu interesse e dedicação, Misch Kohn, então chefe do departamento de gravura, concedeu-lhe acesso às instalações para que pudesse desenvolver seus trabalhos de forma independente, sobretudo durante a noite e nos fins de semana. Em 1968, Barbara Jones-Hogu cofundou o coletivo afro-americano AfriCOBRA (African Commune of Bad Relevant Artists), sediado em Chicago. Entre suas obras mais conhecidas produzidas nesse período destaca-se Unite, exibida em importantes instituições, como a Tate Modern, em Londres. A obra foi inspirada tanto por uma escultura de Elizabeth Catlett, vista por Jones-Hogu durante uma visita à artista no México em 1968, quanto pela saudação do Poder Negro realizada nos Jogos Olímpicos de 1968. Posteriormente, Jones-Hogu afirmou que a obra expressava a necessidade de união do povo negro em torno desse ideal. Suas diferentes versões apresentam variações visuais: antes de integrar a AfriCOBRA, utilizava uma cabeça africana, enquanto as versões posteriores passaram a incorporar uma escultura africana. Em resposta às tensões políticas e sociais do período, também produziu Resist Law and Order in a Sick Society. Muitas de suas obras são marcadas pelo uso de frases e slogans como títulos. Barbara Jones-Hogu também produziu a obra Stop Genocide, baseada em sua reflexão sobre as gangues urbanas, que, segundo a artista, poderiam atuar como uma força coletiva positiva caso se unissem. No entanto, Jones-Hogu criticava o que definia como “autogenocídio”, ao perceber que esses grupos acabavam reproduzindo violências internas, em vez de combaterem aquilo que entendia como o “genocídio e os crimes dos brancos contra a população negra”. Diferentemente de muitas obras realizadas no contexto da AfriCOBRA, Stop Genocide foi impressa em papel artesanal japonês, escolha motivada pela deterioração do papel anteriormente utilizado pelo coletivo. Sem possuir estúdio próprio naquele momento, a artista realizou suas impressões no Instituto de Tecnologia de Illinois, onde também desenvolveu diversas obras com o tema da bandeira para sua tese. Nesse mesmo período, participou das filmagens do documentário Medium Cool, embora suas cenas não tenham sido incluídas na versão final. Segundo Jones-Hogu, sua participação envolveu discussões sobre as condições raciais e políticas de Chicago durante a Convenção Nacional Democrata de 1968. Barbara Jones-Hogu participou do documentário AfriCOBRA: Art for the People (2011), no qual destacou a relação direta entre a produção artística do coletivo e sua comunidade, afirmando: “As pessoas para quem fazíamos arte se pareciam conosco”. Sua obra Unite possui duas versões: uma produzida antes da fundação da AfriCOBRA, em 1969, e outra realizada em 1971, já durante sua participação no grupo. Antes de integrar o coletivo, Jones-Hogu reconhecia que seu trabalho era fortemente influenciado por narrativas marcadas pela negatividade no contexto das relações raciais. Após sua inserção na AfriCOBRA, sua produção passou a adotar uma abordagem mais afirmativa, positiva e esperançosa, alinhada aos princípios do grupo. Um exemplo dessa transformação é a serigrafia Relate to Your Heritage (1971), que dialoga com a estética dos cartazes de luz negra e da blaxploitation, mas subverte seus conteúdos frequentemente estereotipados ao representar mulheres negras em trajes reais. A obra expressa o interesse da artista em construir narrativas visuais voltadas ao fortalecimento da identidade e da herança cultural negra. Por volta de 1973, Barbara Jones-Hogu passou a dedicar-se principalmente ao desenho, reduzindo sua produção em pintura e, em menor medida, em gravura, em razão dos problemas de saúde de seu filho, afetado pelos vapores das tintas à base de óleo que utilizava. Sua primeira exposição individual, reunindo gravuras e desenhos, ocorreu em uma galeria administrada por artistas afro-americanos. Nesse período, Jones-Hogu também começou a produzir matrizes e gravuras para obras de outros integrantes da AfriCOBRA, reconhecendo a gravura como um diferencial em sua trajetória, já que muitos membros do coletivo atuavam predominantemente na pintura. Costumava marcar suas impressões com a inscrição “artist’s proof” (“prova do artista”) após sua finalização. Ao longo de sua carreira, trabalhou com técnicas como xilogravura, talho-doce e, posteriormente, serigrafia, especialmente após abrir sua própria oficina. Além disso, produzia litografias para arrecadação de fundos, sendo relatado que uma de suas obras foi adquirida por Sammy Davis Jr. Barbara manteve uma longa relação com o South Side Community Art Center, onde atuou brevemente no conselho administrativo e participou ativamente de suas atividades ao longo da vida. Foi também nesse espaço que suas obras começaram a ser exibidas no início da década de 1970, seguido por outras mostras coletivas. Embora não tenha realizado uma exposição individual no centro, apresentou trabalhos ao lado de artistas como Napoleon Jones-Henderson. Em entrevistas posteriores, Jones-Hogu relatou que críticas à frequência com que suas obras eram expostas contribuíram para o encerramento dessa sequência de exibições. Mais tarde, doou diversas gravuras à instituição, sobretudo após perder parte significativa de sua produção em uma inundação que atingiu o porão onde armazenava suas obras. No final da década de 1970 e início dos anos 1980, passou a explorar intensamente técnicas com pastel e lápis de cor, dedicando-se especialmente à produção de retratos. Entre eles, destaca-se o retrato de Lurlean Dean, exibido pelo filho da retratada durante seu serviço memorial. Uma exposição da obra da afriCOBRA descreve o estilo artístico individual de Jones-Hogu como "uma fusão de mensagens políticas, imagens e texto". O trabalho de Jones-Hogu está exposto em muitos museus, incluindo o Art Institute of Chicago, o Brooklyn Museum, o National Civil Rights Museum e o National Museum of African American History and Culture. Seu trabalho apareceu em livros, incluindo Creating Their Own Image: The History of African American Women Artists, The Black Arts Movement: Literary Nationalism in the 1960s and 1970s e Toward a People's Art: The Contemporary Mural Movement. Ela foi representada a partir de 2005 por seu marchand, David Lusenhop, da Lusenhop Fine Art, depois de conhecê-lo em uma exposição na qual seu trabalho estava exposto em 2004. Segundo relatos, ela se aproximou dele e perguntou por que não havia recebido um convite para a exposição, já que seu trabalho estava sendo exibido nela. Ela e Lusenhop tornaram-se amigas. A Lusenhop Fine Art, de Cleveland, Ohio, representa o espólio de Barbara Jones-Hogu. Sua primeira exposição individual em museu ocorreu no DePaul Art Museum em Chicago, em 2018. Intitulada Barbara Jones-Hogu: Resistir, Relacionar, Unir 1968–1975. Outras pessoas não tinham conhecimento da quantidade de trabalho que ela havia produzido até os últimos anos de sua vida, quando foi transferida para uma casa de repouso. Jones-Hogu teria dito a outras pessoas que não produzia muito, mas muitos de seus projetos foram encontrados e, portanto, reunidos em uma exposição. O catálogo da exposição foi financiado pela Terra Foundation for American Art e será a primeira monografia de Jones-Hogu. A obra de Jones-Hogu é numerosa em quantidade, distribuição e localização. Há uma abundância de trabalhos de Jones-Hogu que derivam tanto de sua importância e influência no movimento AfriCOBRA quanto de seu próprio trabalho independente, que se estende das décadas de 1960 e 70 até os anos recentes e sua morte em 2017. Exposições nas quais seu trabalho foi apresentado incluem Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power, AfriCOBRA Nation Time, AfriCOBRA Messages to the People, We Wanted A Revolution: Black Radical Women, 1965-85 e muitas outras.

OBRAS Organizando o Jogo, 1967, xilogravura em papel O Retorno do Homem, 1967, xilogravura sobre papel Xilogravura sem título, 1967, madeira de pinho Seja o Guardião do Seu Irmão, 1968, serigrafia A Terra Onde Meu Pai Morreu, 1968, serigrafia América II, 1969, serigrafia América III: Enquanto alguns estão tentando ficar mais brancos, 1969, Tempo Nacional, 1969, serigrafia Um Povo Unido, 1969, serigrafia colorida sobre cartão dourado Unite (First State), 1969, serigrafia Sem título, 1969, serigrafia Sem título, 1969, serigrafia colorida sobre cartão dourado Heritage, 1970, serigrafia, tusche e cola Eu sou melhor do que esses filhos da puta, 1970, serigrafia Pare o Genocídio, 1970, serigrafia Unite, 1971, serigrafia sobre papel vergé Tempo Nacional (II), 1971, serigrafia Alta Sacerdotisa, 1971, serigrafia sobre papel vergé Ascenda e assuma o controle, 1971, serigrafia Relacione-se com sua herança, 1971, serigrafia Homens Negros, Precisamos de Vocês, 1971, serigrafia colorida Para Ser Livre (TCB), 1971, serigrafia Para ser livre (conhecer o passado, preparar-se para o futuro), 1971, serigrafia Quando estilizar, 1973, serigrafia Filho de Deus, 2009, serigrafia

Referências