Harry Baur (nascido Henri Marie Rodolphe Baur, 12 de abril de 1880 – 8 de abril de 1943) foi um ator francês de teatro e cinema torturado por nazistas após um de seus amigos de infância espalhar um boato de que era judeu.
Biografia
Origens familiares Henri Marie Rodolphe Baur nasce em Paris, no no 171 do boulevard Voltaire, filho de Meinrad Baur, um relojoeiro alsaciano originário de Heimsbrunn, e de Marie Imblon · , de origem lorena, natural de Bitche. Em entrevista concedida à revista Pour vous em 1936, declarou que sua família era "desde sempre católica". Ainda jovem, muda-se para Marselha, onde integra a seção de rúgbi XV do Olympique de Marseille, clube ao qual permanecerá sempre ligado e do qual se tornará uma figura emblemática. Inicia estudos de hidrografia antes de se orientar para o teatro.
Início de carreira Reprovado no Conservatório de Arte Dramática de Paris, passa a frequentar cursos privados. Sua carreira teatral tem início antes da Primeira Guerra Mundial. Os doze anos que se seguem ao conflito marcam o auge de sua trajetória nos palcos. Ele inicia sua carreira no cinema ainda no fim dos anos 1900, participando de filmes de Victorin Jasset, Michel Carré, Albert Capellani, Georges Denola, Gérard Bourgeois, Jacques de Baroncelli, Maurice Tourneur e Abel Gance, então em início de carreira.
Um grande ator Considerado um «monstro sagrado» — expressão criada por Jean Cocteau no período entre guerras — nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, impõe uma personalidade marcante e um jogo contido. Sua carreira ganha novo impulso em 1930, com o encontro com Julien Duvivier: no primeiro filme falado do diretor, David Golder, interpreta o personagem epônimo do longa-metragem inspirado romance homônimo de Irène Némirovsky. Harry Baur atuou em quarenta filmes durante doze anos. Em 1934, destaca-se como uma das interpretações mais marcantes de Jean Valjean na versão de Les Misérables, dirigida por Raymond Bernard, contracenando com Charles Vanel no papel de Javert. Em 1935, interpreta o rei Herodes em Golgotha, ao lado de Robert Le Vigan como Jesus. Em 1936, vive Beethoven em Un grand amour de Beethoven, de Abel Gance. Entre seus papéis mais conhecidos está o protagonista do filme Volpone (1941), de Maurice Tourneur, ao lado de Louis Jouvet (Mosca) e Charles Dullin (Corbaccio).[carece de fontes]? No teatro, retoma em 1931 o papel de César, criado por Raimu, em Fanny, a segunda peça da trilogia marselhesa de Marcel Pagnol.[carece de fontes]?
Durante a guerra
A ocupação alemã não interrompe sua carreira. Em 1941, Harry Baur interpreta o pai Cornusse em L'Assassinat du père Noël, de Christian-Jaque, o primeiro filme da produtora de capital alemão Continental-Films, dirigida por Alfred Greven. Desde o início da ocupação, porém, jornais franceses antissemitas passam a difundir rumores acusando-o de ser judeu. O ator se defende publicando um certificado de «arianidade» e envia ao semanário Je suis partout uma carta, posteriormente publicada, na qual afirma: Citação: Atualmente no exterior. Acabo de saber que o sr. Alain Laubreaux me qualificou como “neo-ariano”. Essa expressão podendo gerar equívoco, declaro, da forma mais categórica, que não sou ariano recente, mas tão antigo quanto qualquer outro. Espero que o incidente esteja encerrado. Foi então que Joseph Goebbels profundamente preocupado com a preeminência do cinema francês sobre uma produção "germânica" que tinha sido efetivamente aniquilada pelas políticas antissemitas dos nazistas, trouxe-o para Berlim para interpretar o papel principal masculino em Symphonie eines Lebens de Hans Bertram, ao lado de Henny Porten e Gisela Uhlen. Apesar da pressão exercida pelos nazis sobre a sua segunda esposa para aceitar esta oferta, que passou despercebida pelo público, ele não escapou às suspeitas de colaboração e aos insultos que o rotularam de "traidor" e "vendido" aos ocupantes.
Prisão e morte Quando retornou à França na primavera de 1942, o rumor sobre suas origens judaicas, alimentado pela denúncia de um amigo de infância ressurgiram. Theodor Dannecker então pediu a Charles Laville, engenheiro biológico e chefe dos serviços científicos para estudos judaicos, que criasse um retrato morfológico do rosto de Harry Baur. No relatório que apresentou, concluiu "que o grande ator exibe, em grau muito pronunciado, todas as características semitas". Harry Baur foi preso junto com sua esposa em 30 de maio, Dannecker ficou furioso por um judeu ter conseguido o papel principal num filme alemão. Preso Na secção IV da Gestapo durante quatro meses em condições muito severas, Harry Baur sofreu várias agressões, incluindo uma que durou doze horas. Durante uma delas, levantou-se e declarou ao Hauptsturmführer da Schutzstaffel:
"Será mais digno da sua parte golpear um homem que está de pé".
Ele recebeu conforto espiritual do padre Franz Stock. Harry foi libertado em 19 de setembro de 1942, com seus torturadores lhe disseram: "Sempre soubemos que você não era judeu". Reinhard Heydrich, superior de Dannecker, movido pela ambição, estava em conflito com Joseph Goebbels. O artista foi apenas uma vítima da rivalidade entre os dois dignitários nazistas. Aos 62 anos, Harry Baur jamais se recuperou das sessões de tortura que sofreu e morreu pouco menos de seis meses depois, em 8 de abril de 1943, em sua casa, 3 rue du Helder (sua esposa ainda morava lá em 1978). As autoridades alemãs, para não serem acusadas de terem causado sua morte, proibiram os jornais de anunciá-la. Após a Libertação de Paris, a opinião pública francesa só se lembrava dele pela sua colaboração com a indústria cinematográfica alemã o que o fez cair no ostracismo até o início do século 21. Após um funeral realizado na igreja de Saint-Philippe-du-Roule, Harry Baur foi enterrado no jazigo da família no cemitério Saint-Vincent em Montmartre onde sua primeira esposa Rose (que morreu em 1931) e seu filho Jacques (que morreu em 1929) já repousavam.[carece de fontes]? Em abril de 1947, Charles Laville, o biólogo que contribuiu para a sua prisão, foi acusado de colaborar com o inimigo e preso na prisão de Fresnes. Quanto ao amigo de infância que o denunciou, depois de ter sido processado após a Libertação por indignidade nacional, passou por problemas de saúde, sendo finalmente absolvido pelo tribunal militar de Paris em maio de 1951.
Vida pessoal Casa-se em Paris, em 9 de junho de 1910 com a atriz Rose Cremer, conhecida como Rose Grane, com quem teve três filhos. Ela falece em 1931, durante uma viagem à Argélia, em Tremecém.[carece de fontes]? Ele se casa novamente em 15 de junho de 1936 com Rika Radifé (1902–1983), também atriz e posteriormente diretora teatral.
Filmografia 1908 : Beethoven de Victorin Jasset : Ludwig van Beethoven 1908 : Le Bon Cambrioleur (anônimo) 1909 : Arsène Lupin de Michel Carré : Inspetor Ganimard 1909 : L'Assommoir de Albert Capellani 1909 : Don César de Bazan de Victorin Jasset : César de Bazan 1909 : Hector est un garçon sérieux (anônimo) 1909 : La Jeunesse de Vidocq ou Comment on devient policier (anônimo) 1909 : La Légende du bon chevalier de Victorin Jasset 1909 : La Miniature de Michel Carré 1909 : Les petits iront à la mer (anônimo) 1909 : L'Enlèvement de Mademoiselle Biffin (anônimo) 1909 : Les Noces de Canuche de Michel Carré 1909 : Octave (anônimo) 1909 : Les Suicidés de Louf de Michel Carré 1910 : Les Aventuriers du Val d'Or (anônimo) 1910 : L'Évasion d'un truand de Michel Carré 1910 : Le Four à chaux de Michel Carré 1910 : Sur la pente de Michel Carré 1910 : La Haine de Albert Capellani 1910 : Le Mauvais Pilote (anônimo) 1910 : Les Messagers de Notre-Dame de Léon Boulnois 1910 : L'Évasion de Vidocq de Georges Denola 1911 : Vidocq de Gérard Bourgeois 1911 : La Note de la blanchisseuse (ou Frisette, blanchisseuse de fin) de Georges Denola 1912 : Les Amis de la mort (anonyme) 1912 : Le Cheveu d'or de Pierre Bressol 1912 : Le Secret du lac (anônimo) 1913 : Monsieur Lecoq de Maurice Tourneur 1913 : Shylock de Henri Desfontaines : Shylock 1913 : Le Naufragé de Michel Carré 1913 : Le Roman de Carpentier (anonyme) 1915 : Chignon d'or de André Hugon : Harry 1915 : Strass et Compagnie de Abel Gance 1916 : Quand l'amour meurt de Raoul d'Auchy 1916 : Le Suicide de Sir Letson de Jacques de Baroncelli 1917 : 48, avenue de l'Opéra de Georges Denola interpretando Dominique Bernard-Deschamps 1917 : L'Âme du bronze de Henry Roussell 1917 : Sous la griffe de Albert Dieudonné 1918 : L'Angoisse dans la nuit (anonyme) 1924 : La Voyante de Leon Abrams : Monsieur Detaille 1930 : David Golder de Julien Duvivier : David Golder 1931 : Le Cap perdu de Ewald André Dupont 1931 : Les Cinq Gentlemen maudits de Julien Duvivier : M. de Marouvelle 1931 : Le Juif polonais de Jean Kemm : Mathias 1932 : Criminel de Jack Forrester 1932 : Poil de Carotte de Julien Duvivier : M. Lepic 1932 : Rothchild de Marco de Gastyne : Rothchild 1932 : La Tête d'un homme de Julien Duvivier : o comissário Jules Maigret 1932 : Les Trois Mousquetaires, filme dividido em duas épocas : Les Ferrets de la reine et Milady de Henri Diamant-Berger : M. de Tréville 1933 : Cette vieille canaille de Anatole Litvak : Guillaume Vautier 1934 : Les Misérables, um filme dividido em três partes: Uma Tempestade na Caveira, Os Thénardiers e Liberdade, Amada Liberdade, de Raymond Bernard : Jean Valjean 1934 : Le Greluchon délicat de Jean Choux : Michel 1934 : Les Nuits moscovites de Alexis Granowsky : Piotr Brioukow 1934 : Un homme en or de Jean Dréville : Papa 1935 : Golgotha de Julien Duvivier : Hérode 1935 : Crime et châtiment de Pierre Chenal : Juiz Porfírio 1935 : Le Golem de Julien Duvivier : Rodolphe II 1935 : Moscow Nights de Anthony Asquith : Piotr Brioukow (remake de Les Nuits moscovites) 1935 : Samson de Maurice Tourneur : Jacques Brachart 1935 : Les Yeux noirs de Victor Tourjanski : Ivan Ivanovitch Petroff 1936 : Tarass Boulba de Alexis Granowsky : Tarass Boulba 1936 : Les Hommes nouveaux de Marcel L'Herbier : Bourron 1936 : Nitchevo de Jacques de Baroncelli : o comandante Robert Cartier 1936 : Un grand amour de Beethoven de Abel Gance : Ludwig van Beethoven 1937 : Paris de Jean Choux 1937 : Mollenard de Robert Siodmak : Justin Mollenard 1937 : Nostalgie de Victor Tourjanski : Virine 1937 : Sarati le terrible d'André Hugon : César Sarati 1937 : Les Secrets de la mer Rouge de Richard Pottier : Saïd Aly 1937 : Un carnet de bal de Julien Duvivier : Alain Regnault 1938 : La Tragédie impériale de Marcel L'Herbier : Raspoutine 1938 : Le Patriote de Maurice Tourneur : le tsar 1939 : L'Homme du Niger de Jacques de Baroncelli : le major-médecin Bourdet 1940 : Le Président Haudecœur de Jean Dréville : le président Haudecoeur 1940 : Volpone de Maurice Tourneur : Volpone 1941 : L'Assassinat du Père Noël de Christian-Jacque : le père Cornusse 1941 : Péchés de jeunesse de Maurice Tourneur : Monsieur Lacalade 1943 : Symphonie d'une vie (Symphonie eines Lebens) de Hans Bertram : Stefan Melchior
Condecorações Ordem Nacional da Legião de Honra (decreto de 31 de julho de 1936) Ordem das Palmas Académicas Nichan Iftikhar
Referências
Bibliografia Guy Dornand, « Harry Baur », en couverture un portrait de Harry Baur par Bernard Bécan, Les Hommes du jour n.o5, Éditions Henri Fabre, 1935. Emmanuel Burdeau, « Le plus grand Valjean. De tous les acteurs qui ont joué le rôle, Harry Baur est sans doute celui qui en a donné la version la plus singulière », Le Nouveau Magazine littéraire, n.o5, Sophia Publications, Paris, mai 2018, p. 97 ISSN 2606-1368. Alexandre Najjar, Harry et Franz, Plon, 192 p, 2018. ISBN 2259264999 François Guéroult, Trouble jeu, le dossier Harry Baur, Editions Infimes, 170 p., 2025 ISBN 9791092109771.